25 de set. de 2008

“Nem sempre é conveniente virar a página, às vezes é preciso rasgá-la.”
(Achille Chavée)

A lama que te espera, que me espera e que a todos inapelavelmente espera, corre pelas veias ferinas do corpo. A lama da saliva despegada no rosnar dos insultos destinados ao léu - e o léu sou eu -, é o outro ali, é o da frente, é o detrás de mim e o que rosna sou eu, é o outro ali é o da frente, é o detrás de mim. A lama da náusea que expulsa o vômito, a lama do suor da lida, a lama do choro da espera vã.

Dentre os infortúnios e atropelos da inexata equação do amor entre espaço e ocupantes, o insano fluxo de sentimentos é o que com maior frequência me desconstrói. Me desconstrói pela violência que dele emana, pelo abominável que em mim aflora e, acima de tudo, porque, sem solução que se apresente, a tendência é que a galope aumente.

Essa cena que me tange me remete ao soneto de Augusto dos Anjos:

Versos Íntimos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Um comentário:

Anônimo disse...

Quanta raiva no poema!!
Pra qq coisa, estamos aí!